segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Quem tem um animal de estimação tem diversão garantida!


Há um pouco mais de 12 mil anos, os animais começaram a ser domesticados. Cães e gatos passaram a ocupar um lugar dentro do núcleo familiar. Ainda mais com o avanço da ciência e da tecnologia, foi possível descobrir como são perspicazes e importantes para promover bem-estar e saúde às pessoas.

Com eles aprendemos a cuidar, a ter compaixão, tolerância, nos tornamos mais disciplinados, organizados e higiênicos. Exercitamos a troca de afeto diária, descobrimos o amor incondicional e a diversão. Sim, a diversão! Mesmo os humanos mais sisudos, não resistem aos encantos de um pet! Ainda mais quando ele traz a bolinha até você, automaticamente, você se vê compelido a arremessá-la. Quando se dá conta, sua criança interior despertou e você está brincando e se divertindo!

Quem tem um animal de estimação tem alegria! E as conversas? São excelentes companheiros e ouvintes. Cães e gatos ganharam status de quase humanos. Pena não possuírem o domínio da linguagem. Embora alguns pareçam verbalizar “I love you!” ou “Magoou!”.

Normalmente, meus gatos Freud e Anakin interagem comigo miando ou ronronando. Ao cumprimentá-los todas as manhãs, eles parecem responder “Olá!”. Cães e gatos se adaptaram super bem aos costumes dos humanos, até mesmo a alimentação. Conheço um cãozinho chamado Scooby que adora brócolis e tomates. A Mia é uma gata bastante exigente e o Gadie um gato charmoso e cheio de melindres.

Descobriu-se que os animais têm um valor terapêutico inestimável. Em contato com eles, ao abraçá-los ou acariciá-los, ocorre a produção de neurotransmissores que dão sensação de prazer e de bem estar, aumenta a imunidade, regula os níveis de colesterol e a pressão arterial, diminuindo os riscos de problemas cardíacos, além de combater o estresse e controlar a ansiedade.

Crianças que crescem com um animal de estimação, aprendem logo cedo a respeitar a natureza e tornam-se mais resistentes a alergias. Meu neto está crescendo com a Mini, uma cachorrinha muito carinhosa e sensível que cuida dele como se fosse sua cria.

Quer conhecer uma família? Observe o comportamento dos animais de estimação. Eles desenvolvem hábitos compatíveis com os costumes do ambiente e, melhor que isso, com muita sutileza, sinalizam quando algo não vai bem porque pressentem o perigo ou quando alguém precisa de cuidados da saúde.

Na década de 50, a psiquiatra Dra. Nise da Silveira cuidava de vários gatos e utilizava-os como co-terapeutas nos tratamentos dos pacientes psiquiátricos. Hoje em dia, muitos animais são co-terapeutas em diversos tipos de tratamentos como portadores da síndrome do autismo, pacientes com câncer, portadores de Alzheimer, pacientes com limitações físicas ou mentais. Cães são treinados e são imprescindíveis para resgates em desastres e investigações policiais. Há pouco tempo, cães e gatos ganharam espaço nos meios de transportes, também são aceitos em hotéis, shoppings e em centros comerciais. Por sorte, existem leis rígidas que os protegem dos maus tratos.

Quem tem um pet concordará comigo, eles são espontâneos, não fazem distinção, não são preconceituosos, não mentem, são leais e são, verdadeiramente, os melhores amigos.

                  

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Implicações Psicológicas e Emocionais na Obesidade

- “Eu engordei!”

- “Não estou gostando da minha imagem no espelho!”

- “Minhas roupas não me servem mais!”

- “Estou me sentindo uma bola!”

- “Às vezes penso: aonde vou parar desse jeito?”

- “Há anos luto contra a balança!”

- “Mal comecei a ir para a academia e desanimei!”

São queixas comuns nas sessões de psicoterapia. O que acontece com esses pacientes? Sabemos que a obesidade pode acarretar doenças crônicas como a hipertensão, o diabetes, problemas cardíacos, nas articulações, dentre outras. No entanto, existem doenças fisiológicas, cujos sintomas podem levar a obesidade, como as alterações hormonais e metabólicas, juntamente a maus hábitos alimentares ou, o que é mais comum, condicionamentos da infância.

Lembrei-me daquela antiga tradição a qual dizia que criança saudável é criança gordinha! Tem que raspar o prato para ter direito a sobremesa! Criança magra é desnutrida, doente ou tem vermes! Quantas crianças tomaram tônicos e elixires a base de álcool ou óleo de fígado de bacalhau para abrir o apetite? Que tortura!! Crianças que vivenciaram a cultura daquela época, hoje em dia adultos, podem estar brigando com a balança.

 Existem inúmeras implicações emocionais e psicológicas na existência da obesidade. Muitos pacientes relatam várias tentativas frustradas para emagrecer. Às vezes conseguem manter o peso por um tempo, mas, logo engordam além do peso anterior. Com certeza existem crenças por trás da fome incontida. E questões mentais negativas podem atrapalhar qualquer dieta.

Enquanto está saboreando uma lata de leite condensado, a pessoa acha uma delícia, sente muito prazer, mas, no momento seguinte, acaba se sentindo culpada. Aliás, o sentimento de culpa, a sensação de impotência pelo descontrole, o fracasso, a frustração, sempre acontecem após a ingestão excessiva de alimentos. Como num círculo vicioso: sentir fomeàcomer em exageroàsentir culpaà fazer regimeà sentir fome...e começa tudo de novo. As restrições de alimentos e jejuns, se mal administrados duram pouco tempo, podendo acarretar momentos de compulsão alimentar.

Por que comer em exagero? Será que está a serviço de armazenar forças para enfrentar a difícil realidade? Será que representa compensar uma falta ou uma carência? Vou citar algumas hipóteses de problemas psicológicos e emocionais que podem levar a obesidade: Um ambiente familiar com pouco ou nenhum apoio emocional, onde as angústias são ignoradas, geram lacunas que são preenchidas com comidas, doces e guloseimas para compensar a falta de afeto. Traumas ocorridos na infância, violência sexual, física e/ou psicológica, podem levar a obesidade, sobretudo na fase adulta. Um quadro de depressão, de ansiedade, dificuldades de relacionamento, dificuldades sexuais (no sentido da busca do prazer), distúrbios alimentares (relacionados a compulsão), dismorfia corporal (preocupação obsessiva com a autoimagem). A balança acaba se transformando numa tortura e em efeitos psicológicos negativos. Infelizmente, a pressão midiática ainda causa certa influência na busca de um corpo ideal, fazendo com que muitas pessoas se arrisquem em regimes com tratamentos medicamentosos ou cirurgias plásticas e estéticas muito radicais, cujos resultados nem sempre saem a contento ou podem ser irreversíveis. Até mesmo casos em que o paciente voltou a engordar após a redução do estômago.

Acredito muito na multidisciplinaridade, ou seja, profissionais de diferentes áreas, cada um na sua competência escutando, esclarecendo e orientando os pacientes, cuja meta maior é combater a obesidade e alcançar resultados para eliminar peso, melhorar a saúde e o estilo de vida. Endocrinologia, Nutrição, Fisiatria, Educação Física, dentre outras especialidades, são muito importantes. Entretanto, o Tratamento Psicológico é fundamental para detectar os pensamentos e crenças disfuncionais que levam aos maus hábitos alimentares e ao sofrimento emocional e psíquico. Além disso, promover a conscientização e o desenvolvimento de estratégias para manter a boa saúde mental e a qualidade de vida. 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

      Depressão com Crises de Ansiedade consequente a Pandemia

O avanço da pandemia causada pela Covid-19 vem em ondas, acarretando o aumento do número de internações e de mortes, além de medidas político-econômicas e de saúde muito imprecisas. As pessoas estão cada vez mais confusas, inseguras e suscetíveis aos acontecimentos. Estão passando por problemas financeiros, desempregos, até mesmo, falências. São muitas coisas para aceitar e se adaptar no dia a dia. Surgem, então, sintomas denunciando perturbações e desequilíbrios da mente e do corpo em relação a um mundo ameaçador.
         Estão sendo comuns as queixas de angústia, tristeza e desmotivação, assim como, de insônia ou de sonolência exagerada, reclamações sobre ganho de peso e baixa autoestima. Insatisfeitas consigo, com os outros e sem perspectivas de futuro, as pessoas estão mais irritadas e agressivas. Aquelas que perderam parentes e amigos para a Covid-19 estão lidando com luto difícil de elaborar, alimentado diariamente pelas estatísticas de mortes.
Todos estes sintomas estão denunciando um tipo de Depressão com Crises de Ansiedade que tem sido frequente na clínica psicológica. É importante salientar que, as crises de ansiedade, se não tratadas, podem levar a um quadro de depressão mais grave. Embora em menor escala, o contrário também é possível, ou seja, pessoas com depressão podem passar a ter crises de ansiedade.

          Depressão Ansiosa, Ansiedade Depressiva ou Depressão Covid-19?

        Diante de tantas consequências causadas pela pandemia, a terminologia correta para Depressão com Crises de Ansiedade passa a ser mero detalhe face a urgência de medidas para evitar que este tipo de transtorno se torne tão corriqueiro quanto contrair a Covid-19. Portanto, a necessidade de tratamento psicológico passou a ter prioridade por proporcionar ao paciente, um espaço de acolhimento e de escuta terapêutica para organizar sentimentos e emoções, para reprogramar caminhos e desenvolver recursos de enfrentamento e resiliência. Mas, se os sintomas estiverem insuportáveis, a avaliação de um médico psiquiatra se torna imprescindível, pois, há casos em que as medicações são bem vindas e podem trazer grande alívio.
                                        Algumas sugestões saudáveis 

      É importante atualizar-se sobre medidas de saúde e segurança, sobre a eficácia das vacinas, dentre outros assuntos que envolvam qualidade de vida. Porém, é preciso evitar notícias deprimentes e informações distorcidas sem cunho científico, pois, o hábito pode provocar revolta e dar margem a exacerbação da angústia, do medo e da tristeza.
       É aconselhável procurar atividades que proporcionem bem estar e tranquilidade, usar a criatividade, ler bons livros, ouvir boas músicas, cantar, dançar, assistir séries, fazer arte e praticar atividades físicas. E ao sair de casa, seja responsável por seus atos e pense em si e no bem estar comum, não esqueça de usar máscaras e levar o álcool em gel.
 

domingo, 9 de maio de 2021

MÃE PADECE, MAS, NÃO ESMORECE !

Mãe que é mãe é capaz de amar suas crias incondicionalmente, mesmo com todos os percalços que a gestação, o parto, a amamentação e as fases de desenvolvimento acarretam. Eu sei, não é via de regra! Nem toda mulher consegue exercer a maternidade. Me refiro a grande maioria das mulheres que, ao engravidar e depois com o filho nos braços, se sente realizada no papel de mãe. Imaginem quantas influencias arquetípicas emergem do inconsciente quando uma mulher se torna mãe. Sua vida muda totalmente! Daquele momento para frente, ela assume a responsabilidade de preparar este indivíduo para o mundo. Entre erros e acertos, essa mãe vai significando seus sentimentos tornando o exercício do papel de mãe mais interessante. Segundo Donald W. Winnicott (1949), a mãe suficientemente boa é aquela que está preparada em sua essência e, a sua devoção ao bebê proporcionará êxito na criação dele.

Vou partilhar um pouco da minha experiência como mãe. Eu desejei ser mãe! Tenho 3 filhos. As primeiras fases de desenvolvimento foram inesquecíveis porque brinquei muito com eles. Aliás, do meu ponto de vista, o maior segredo do papel de mãe, é manter viva a criança que você foi um dia. Fomos a praias, parques, zoológicos, cinemas, museus e circos, andamos de bicicleta, jogamos bola, peteca, subimos em árvores, lemos livros com histórias inesquecíveis. Quando estas opções se tornavam escassas, nós inventávamos as brincadeiras. Foi uma grande aventura! Confesso que um dos momentos difíceis enfrentados por mim enquanto mãe, foi arbitrar para promover justiça mantendo a imparcialidade quando, por exemplo, os três resolviam entrar numa teima ao disputar o mesmo brinquedo ou o controle remoto da TV ou quem era o dono-mor do Chiquinho (o cachorro). Recordo momentos tensos que acabavam sendo cômicos. Quando um armário de parede despencou porque os três se apoiavam nele enquanto lutavam imitando desenhos animados. Assustados, um acusou o outro e falavam os três ao mesmo tempo. No final, concluímos que o armário estava “mal pregado na parede”. Sinto muitas saudades!

Há anos, eles moram fora do país porque filhos são como passarinhos. Quando suas asas estão com boa envergadura, eles escolhem um rumo e vão explorar o mundo. Alguns filhos não se satisfazem com bairros ou cidades mais próximos. Então, corajosamente, decidem explorar outros continentes. Meus filhos amadureceram e nasceram para o mundo. Sim, são novos partos! De alguma forma, eu estava preparada para viver a síndrome do ninho vazio. Eu sabia que ia doer. Como de fato doeu, porém, ao mesmo tempo, senti uma grande satisfação por vê-los prontos para voar. Afinal, eu os ensinei!

É natural e salutar que este dia chegue. Toda mãe deve estar preparada para esta fase, pois, surgem novas oportunidades de reencontrar a mulher por detrás da mãe, de reavaliar seus papéis como profissional, como esposa, como filha, ter um olhar para sua saúde e, até mesmo, realizar desejos e projetos em standby.

Em fevereiro deste ano, minha filha se tornou mãe. Meu neto é lindo e super saudável. Um bebê feliz! Eu me tornei avó. Ser avó também é ser mãe...com açúcar! Entretanto, por conta da pandemia, não pude vivenciar este momento tão esperado. Refiro-me a estar por perto para ajudar minha filha e meu genro no que fosse necessário. Nem sei se, realmente, haveria necessidade! Na verdade, eu desejava reviver a fase da maternidade que para mim foi uma fase muito bacana, ainda mais por se tratar da gravidez da minha única filha e do nascimento do meu neto primogênito. Meu neto nasceu de parto normal e ainda não pude pegá-lo no colo, trocar uma fralda, empurrar o carrinho para levá-lo ao parque e declarar a quem possa interessar: Este é o meu neto primogênito! Ele é tão bonito, não é? Até ensaiei umas frases em mais que um idioma: He´s my firstborn grandson! He´s so handsome, Isn´t he? Er ist mein girstgeborener Enkel! Er ist so hübsch, nicht wahr? Por conta do fuso horário, tenho que aguardar o dia e o momento que receberei uma chamada de vídeo para conseguir brincar com ele um pouco. É o que tenho para o momento!

Ser mãe é padecer no paraíso! Eu posso afirmar que ser avó, em tempos de pandemia, também! Afinal, ainda segundo Winnicott, a mãe suficientemente boa, com o tempo, vai se tornando desnecessária. Hoje em dia sou uma mãe desnecessária para meus filhos! Entretanto, a vida é como um “estilingue humano”, um dia estaremos todos perto e novas experiencias acontecerão.

Após anos morando sozinha, há dois anos estou morando com a minha mãe. Sim, eu cuido da minha mãe e da minha tia materna também. Estou tendo este privilégio! Vejam só: A minha mãe cuidou de mim e me ajudou a cuidar dos meus filhos. Minha tia ajudou a minha mãe a cuidar de mim e dos meus irmãos e, sempre que precisei, ela também cuidou dos meus filhos. Hoje em dia eu cuido delas! Novamente, surgem grandes oportunidades de rever meus papeis, avaliar minha caminhada, repensar minha vida profissional, exercitar a minha paciência e complacência e nunca deixar de me alegrar com a minha bagagem. Afinal, “se chorei ou se sorri, o importante são que emoções eu vivi!” (Emoções – Roberto Carlos)

Comentei nesse texto algumas das minhas experiências como mãe.  Acredito que muitas mulheres viveram ou estão vivendo situações semelhantes e, talvez se identifiquem. Então, o dedico à todas as mães, avós, tias, irmãs, cunhadas, sogras, primas, que de alguma forma e, às vezes, sem perceber participaram ou ainda participam dessa rede de cuidados na criação de “nossos” filhos. Existe aquele provérbio africano que diz o seguinte: “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”. E quem não concorda?


Sugestões: Música- "Emoções" Roberto Carlos

Nota: As citações no texto foram capturadas em consultas de publicações da internet.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Alguém sabe me dizer se pular gatos dá azar?

Espero que não, porque pulo dois gatos todos os dias, mais que uma vez ao dia. Eles se esparramam nos degraus da escada circular que leva ao consultório e ficam lá até eu encerrar o expediente. Na hora do almoço, esperam que eu os pule para depois me seguirem para dentro da casa. Quando retorno para atender os pacientes da tarde, eles estão lá ajeitados nos degraus para serem pulados novamente. Não movem nem o rabo do lugar, me obrigando de vez em quando, a subir ou descer dois degraus de uma só vez. E assim seguem meus dias: pular gatos ao subir, pular gatos ao descer! 

Pensei na sutil comunicação dos animais com os humanos. Este comportamento deles terá algum significado? Uma coisa é certa, estou mais reflexiva e observadora, o que é bom, pois, esqueço por um tempo as preocupações com pandemia, crise financeira, futuro, etc.

Por vezes, ao abrir a porta do consultório, me surpreendo com eles deitados no capacho. Para sair, tenho que pulá-los, é claro! Descobri que gatos ouvem atrás das portas! Se alcançassem o buraco da fechadura, com certeza espiariam também. Nem adianta chamar a atenção deles. Se fossem humanos, recomendaria análise urgentemente, não antes de constrange-los para não repetirem a façanha: “Que coisa feia, ouvindo atrás da porta?!?”. Mas, gatos não estão nem aí, não sentem vergonha!

          Existem muitas histórias sobre a existência dos gatos. Reza a lenda que os gatos surgiram do espirro de um leão. Eles foram cultuados como deuses e depois, considerados demônios. Imagino quantos bichanos foram martirizados, principalmente gatos pretos. É lamentável que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas capazes de maltratá-los. Machado de Assis comentou em seu romance Quincas Borba (1891) que gatos parecem animais metafísicos: “Obedientes à natureza, gatos ficam contentes com que a vida lhes dá”. Machado de Assis deve ter sido gateiro! Aliás, gatos sempre estiveram ao lado de grandes escritores e nomes famosos. Lewis Carroll e seu gato sorridente, personagem inesquecível do conto “Alice no País das Maravilhas”. O famoso “Gato de Botas” do escritor francês Charles Perrault (1697). O Gato personagem intrigante do filme stop motion “Coraline e o Mundo Secreto” (2009). Os gatos inspiraram a Dra. Nise da Silveira em “Gatos, a Emoção de Lidar” (1998). Ela cuidava de vários gatos e considerava-os co-terapeutas no tratamento dos pacientes psiquiátricos. Não posso deixar de comentar sobre o musical “Cats” de Andrew Lloyd Webber, baseado no livro de T. S. Elliot e sobre o conto infantil de Jorge Amado “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Gatos foram fontes de inspiração até para grandes pintores como Renoir (“L’enfant au chat” - 1887), Gauguin (Eiaha Ohipa - 1896) e Picasso (Gato e Pássaro - 1939). Acredito que gatos tenham inspirado estes intelectuais porque são animais silenciosos, discretos, inteligentes, astutos e muito independentes. Dizem que gatos são traiçoeiros, imprevisíveis e atacam sem motivo. Não concordo! Gatos parecem fazer a leitura da alma dos humanos. Pode ter certeza, se atacam é porque percebem o obsessor, as más intenções ou a contaminação energética no ambiente. Talvez por isso provoquem aversão e medo em certas pessoas. Na verdade, o medo de gatos denuncia suas limitações, medo do desconhecido, medo do inatingível, do que parece impossível de enfrentar em si mesmas.

Lidar com gatos requer sensibilidade e disciplina. Gatos são fortes, imponentes e bonitos. Na convivência com esses felinos, percebo-os super atentos, engraçados, sinalizam quando a saúde requer atenção. Dormir com eles é muito gostoso! Eles são quentinhos e a frequência do ronronar é um excelente indutor natural do sono. Dizem que gatos têm 7 vidas. Eles têm uma única vida bem vivida que se prolonga por serem perspicazes e por não se intimidarem com dificuldades e obstáculos. Desafiam até a lei da gravidade, sempre caem em pé. Quando converso com eles, normalmente interagem comigo miando ou ronronando. Também percebi algo importante, aprendo muito com eles!

Convivo com o Freud e o Anakin, ambos gatos resgatados. O Freud é um senhor siamês de 14 anos, possui o estrabismo congênito, tem os olhos voltados para si. Embora apresente dificuldade para calcular profundidade e altura, Freud é bastante cauteloso. Ao contrário da maioria dos gatos, raramente evita estranhos, é muito sociável e adora crianças. O Anakin tem 12 anos, gato elegante e ágil, um excelente caçador. Sua pelagem acinzentada com listras, suas patas grandes e olhos esverdeados lembram um tigre. Entre eles existe uma hierarquia desenvolvida por eles próprios, onde o mais velho tem a prioridade. Gostam de brincar, normalmente é Anakin que convida. Ambos são super saudáveis e muito bacanas! Confesso que, pular gatos tem sido divertido! Tem me feito muito bem neste período de distanciamento social.

    Lembrei-me de uma antiga tradição africana e cheia de simbolismos. Ao final da cerimônia de casamento, os noivos pulam uma vassoura que representa varrer o passado para dar início a uma nova vida. Eu pulo gatos!! Qual a tradicionalidade disso? O termo “tradição” tem a ver com “transferência”. Tenho alguns palpites sobre pular gatos:  De certo, eles estão me induzindo a pensar sobre convivência, vínculos, sentimentos e emoções. Pode ser isso! Ou talvez queiram me ensinar que, na vida encontramos obstáculos, às vezes difíceis, porém, com esforço e determinação são todos transponíveis. Ou ainda quem sabe, me incentivar a manter ativa minha criança interior, pois, sem que eu perceba, me levam a brincar com eles. Ou queiram apenas me inspirar para escrever sobre eles. Seja qual for a resposta, continuarei a pular gatos, todos os dias.

       Espero que pular gatos traga sorte e melhor entendimento da realidade e acrescente dias aos meus dias de vida e nas deles também. 
Sou gateira com orgulho! Recomendo aos gateiros como eu: pulem seus gatos, conversem com eles, tirem um tempo para observá-los e brincar com eles. Acreditem-me, vocês vão se divertir muito! 











Sugestões

Música: "Memory" (do musical "Cats")

Livro: "Gatos, a Emoção de Lidar" Nise da Silveira.

Nota: Todas as informações sobre datas citadas no texto foram pesquisadas em publicações da internet. 

domingo, 19 de abril de 2020

Famílias confinadas: Como estão se relacionando?


O Relacionamento Familiar é um assunto muito importante e ao mesmo tempo delicado. A família é uma consequência da vida. Todo mundo pertence a uma. A maioria das famílias estão tendo a grande oportunidade de estarem juntas no período de isolamento social. Marido com a esposa, pais com os filhos ou somente a mãe com os filhos, avós com filhos e netos, várias constituições nucleares. Isso pode representar uma situação muito saudável e prazerosa.... ou não!  Sabemos que o núcleo familiar não é aquele modelo da foto, todos sorrindo abraçados, tudo certinho! O núcleo familiar é dinâmico e mutável. Na convivência familiar existem variações de comportamentos, de falas, de atuações, ocorrem muitas projeções e, por vezes, um ataca o outro, um transforma o outro em “bode expiatório”. Mulher que encrenca com marido; homem que descarrega sua raiva na mulher ou nos filhos; pais que discutem na presença dos filhos, enfim, estas tensões podem acontecer no contexto familiar. Imaginem a convivência familiar numa casa sem muito espaço, sem um mínimo de privacidade, gera a todos um grande estresse e irritabilidade, tendo como consequência a sensação de aprisionamento. É claro que as pessoas ficarão mais ansiosas e angustiadas. Existem aqueles casais que, mesmo antes do isolamento social, apresentavam situações conjugais mal resolvidas, conflitos, falta de sintonia e descontavam suas revoltas um no outro. Com o advento do Corona Vírus, estes problemas podem ter aumentado e a convivência ter se tornado insuportável!
A pergunta é: O que fazer com esta situação? Sabemos que o confinamento não tem um prazo definitivo para terminar. Por enquanto, devemos ficar isolados.
Então, as sugestões são: Enquanto mantivermos o confinamento, vamos procurar evitar as reclamações? Estamos todos na mesma situação, sem previsibilidade, temerosos com o futuro. Reclamações constantes vão corroendo, vão entristecendo, vão causando a sensação de incapacidade nos familiares, vão irritando a todos e não trazem soluções. Vamos procurar dialogar mais e criticar menos? Aliás, críticas não trazem bons resultados em condições de confinamento, ao contrário, podem levar a discussões e brigas.
O ato de DISCUTIR é quando a pessoa tenta impor sobre a outra seus pontos de vista, suas vontades, suas regras e exigências, situações que levam facilmente à graves desentendimentos. Ficam mais graves ainda, quando a convivência no isolamento envolve pessoas que apresentam um real comprometimento mental. Por exemplo, homens e mulheres que gritam. Homens que gritam e acreditam que a valentia garanta a eles poder, autoridade, virilidade (...só que não!!); mulheres que por qualquer razão gritam histericamente, com os filhos, com o marido e colocam a culpa neles por agirem assim ou culpam a TPM. Pode até envolver algum desequilíbrio fisiológico, mas, somente ele, não justifica os gritos. Palavrões, xingamentos, ofensas, ameaças, opressões, sarcasmos, toda forma de desrespeito ao outro, sobretudo em período de confinamento, pode gerar rebelião! Todos acabarão sofrendo, e pior, todos acabarão tristes e emocionalmente machucados.
Por outro lado, o ato de DIALOGAR é um exercício muito legal e salutar. Ao dialogar, as pessoas expressam seus sentimentos, deixam fluir ideias para melhorar o relacionamento, surgem possibilidades de compreensão mútua e de entendimento. Portanto, olhe para os olhos do outro, escute tudo o que a pessoa tem para falar, pense se você pode acrescentar alguma ideia. Se não pode, então, silencie! Se os ânimos começarem a esquentar, peça licença, vai ao banheiro, lave o rosto, as mãos, use álcool em gel, respire fundo. Existem problemas conjugais ou familiares que somente a psicoterapia ou um advogado poderão ajudar. É aconselhável deixar passar o período de confinamento para tomar providências cabíveis. Por enquanto, o correto é manter o respeito, tratar um ao outro com delicadeza e paciência e, acima de tudo, com amor.

sábado, 18 de abril de 2020

Isolamento Social: Como administrar a nova realidade?


Iniciamos o mês de abril ainda mantendo o isolamento social. Nos surpreendemos com a onda de contaminação que nos tirou da rotina, daquela previsibilidade diária que nos garantia uma certa liberdade de escolha. Ainda estamos nos adaptando às novas regras e condições para evitar a contaminação por Corona Vírus. São tantos detalhes e cuidados que dá a sensação de impotência. Pode demorar, mas, nós vamos conseguir!  
A situação de isolamento está nos desafiando e nos levando a pensar mais em nós mesmos. Trata-se de olhar para dentro de si, para o próprio eu. Como agíamos antes da pandemia? Éramos tão cuidadosos com a higiene corporal como estamos sendo agora? E com a higiene mental? E com os nossos familiares, cuidávamos deles tanto assim?
Antes da pandemia, nós estávamos envolvidos numa rotina de compromissos que, nem sempre sobrava tempo para sentarmos para conversar com nossos pais, maridos, filhos. Sabe aquele momento de preparar a mesa para uma refeição e todos se sentarem, se olharem e partilharem seus sentimentos? Só de imaginar dá uma sensação super agradável!
E a nossa casa? Estávamos cuidando dela com carinho? E aquela gaveta ou aquele armário, cuja bagunça deixávamos sempre para depois? Na visão psicanalítica, a casa é a nossa identidade, tem todo um aspecto afetivo de troca, de proteção e de segurança. Chegou a hora de pôr a nossa casa em ordem!
Apesar dos riscos da contaminação, de não sabermos quando as coisas voltarão ao “normal”, nós ainda podemos manter uma rotina, até para não ficarmos entediados, ansiosos ou mal humorados. Quem sabe agora consigamos “manter uma rotina produtiva e saudável”. Como podemos fazer isso? Precisamos encontrar saídas, enxergar possibilidades inteligentes, para lidar com a nova realidade. Pensamentos ruins, negativos ou limitantes, não trarão soluções. Lembrem-se, pensamentos ruins são raízes da Depressão. Vamos procurar pensar com clareza e objetividade. Pensar no que é útil, pensar no que é bom! Então, mãos à obra!