segunda-feira, 13 de setembro de 2021

REFLEXÕES SOBRE LUTO

          Como psicóloga, acompanho muitas pessoas e famílias que passaram ou ainda estão passando por algum tipo de perda. Inevitavelmente, a vida dessas pessoas mudou! Sobretudo, para aquelas que sofreram a perda de entes queridos, amigos ou pessoas próximas. Quando vínculos se rompem, quando há separações ou perdas, seja pelo término de um relacionamento, pelas mudanças significativas na vida ou por mortes, as pessoas se vêm diante da dor do luto. Comentarei sobre o luto por ocasião da morte de alguém muito amado.
          Embora, num primeiro momento, as pessoas demonstrem grande fragilidade e profunda tristeza, o processo de luto é diferente para cada um. Não é possível padronizar e nem saber quanto tempo irá durar, pois cada um tem suas próprias necessidades e maneiras de expressar seus sofrimentos e todos têm o direito de ser ouvido e de ter sua dor respeitada.
         Quando um membro da família se vai, surge a necessidade de se reorganizar e de rever o vínculo de afeto, pois com a morte, a estrutura da dinâmica familiar sofre mudanças. Um sentimento muito comum observado por pacientes enlutados é a culpa. Além da tristeza, da raiva, as pessoas sentem-se culpadas por acreditar que falharam em algo e que podiam ter evitado a perda. Outras reações também consideradas comuns são a sensação de vazio, angústia, dor no peito, cansaço, pensamentos confusos, alteração do sono e do apetite. Antigamente, se descrevia o processo de luto como período de “nojo”, “estar de nojo”. De fato, a pessoa enlutada passa por grandes oscilações de sentimentos e emoções para conseguir ressignificar a perda, elaborar a ausência e dar novo sentido à vida. 
          Crianças vivem o luto? Diante da morte de entes queridos, crianças sofrem o impacto da mudança em seu mundo presumido, e também vivem o luto que é diretamente influenciado pelos recursos de enfrentamento dos familiares. É de grande importância informar a realidade para a criança e oferecer a ela o tempo que precisar para se readaptar, garantir acima de tudo proteção e disponibilidade de escuta sempre que ela sentir vontade de falar sobre a perda.
          Para que sofremos perdas? Qual o sentido de passarmos pela dor do luto? Para nos fazer perceber o quanto somos capazes de amar, e que esse amor não se esgota na ausência de quem se foi. Ele permanece forte e, é a partir desse amor durante o processo do luto que surgirá a possibilidade de nos reconstruirmos mais capazes e transformados.

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