Embora, num primeiro momento, as pessoas demonstrem grande fragilidade e profunda tristeza, o processo de luto é diferente para cada um. Não é possível padronizar e nem saber quanto tempo irá durar, pois cada um tem suas próprias necessidades e maneiras de expressar seus sofrimentos e todos têm o direito de ser ouvido e de ter sua dor respeitada.
Quando um membro da família se vai, surge a necessidade de se reorganizar e de rever o vínculo de afeto, pois com a morte, a estrutura da dinâmica familiar sofre mudanças. Um sentimento muito comum observado por pacientes enlutados é a culpa. Além da tristeza, da raiva, as pessoas sentem-se culpadas por acreditar que falharam em algo e que podiam ter evitado a perda. Outras reações também consideradas comuns são a sensação de vazio, angústia, dor no peito, cansaço, pensamentos confusos, alteração do sono e do apetite. Antigamente, se descrevia o processo de luto como período de “nojo”, “estar de nojo”. De fato, a pessoa enlutada passa por grandes oscilações de sentimentos e emoções para conseguir ressignificar a perda, elaborar a ausência e dar novo sentido à vida.
Crianças vivem o luto? Diante da morte de entes queridos, crianças sofrem o impacto da mudança em seu mundo presumido, e também vivem o luto que é diretamente influenciado pelos recursos de enfrentamento dos familiares. É de grande importância informar a realidade para a criança e oferecer a ela o tempo que precisar para se readaptar, garantir acima de tudo proteção e disponibilidade de escuta sempre que ela sentir vontade de falar sobre a perda.
Para que sofremos perdas? Qual o sentido de passarmos pela dor do luto? Para nos fazer perceber o quanto somos capazes de amar, e que esse amor não se esgota na ausência de quem se foi. Ele permanece forte e, é a partir desse amor durante o processo do luto que surgirá a possibilidade de nos reconstruirmos mais capazes e transformados.