domingo, 19 de abril de 2020

Famílias confinadas: Como estão se relacionando?


O Relacionamento Familiar é um assunto muito importante e ao mesmo tempo delicado. A família é uma consequência da vida. Todo mundo pertence a uma. A maioria das famílias estão tendo a grande oportunidade de estarem juntas no período de isolamento social. Marido com a esposa, pais com os filhos ou somente a mãe com os filhos, avós com filhos e netos, várias constituições nucleares. Isso pode representar uma situação muito saudável e prazerosa.... ou não!  Sabemos que o núcleo familiar não é aquele modelo da foto, todos sorrindo abraçados, tudo certinho! O núcleo familiar é dinâmico e mutável. Na convivência familiar existem variações de comportamentos, de falas, de atuações, ocorrem muitas projeções e, por vezes, um ataca o outro, um transforma o outro em “bode expiatório”. Mulher que encrenca com marido; homem que descarrega sua raiva na mulher ou nos filhos; pais que discutem na presença dos filhos, enfim, estas tensões podem acontecer no contexto familiar. Imaginem a convivência familiar numa casa sem muito espaço, sem um mínimo de privacidade, gera a todos um grande estresse e irritabilidade, tendo como consequência a sensação de aprisionamento. É claro que as pessoas ficarão mais ansiosas e angustiadas. Existem aqueles casais que, mesmo antes do isolamento social, apresentavam situações conjugais mal resolvidas, conflitos, falta de sintonia e descontavam suas revoltas um no outro. Com o advento do Corona Vírus, estes problemas podem ter aumentado e a convivência ter se tornado insuportável!
A pergunta é: O que fazer com esta situação? Sabemos que o confinamento não tem um prazo definitivo para terminar. Por enquanto, devemos ficar isolados.
Então, as sugestões são: Enquanto mantivermos o confinamento, vamos procurar evitar as reclamações? Estamos todos na mesma situação, sem previsibilidade, temerosos com o futuro. Reclamações constantes vão corroendo, vão entristecendo, vão causando a sensação de incapacidade nos familiares, vão irritando a todos e não trazem soluções. Vamos procurar dialogar mais e criticar menos? Aliás, críticas não trazem bons resultados em condições de confinamento, ao contrário, podem levar a discussões e brigas.
O ato de DISCUTIR é quando a pessoa tenta impor sobre a outra seus pontos de vista, suas vontades, suas regras e exigências, situações que levam facilmente à graves desentendimentos. Ficam mais graves ainda, quando a convivência no isolamento envolve pessoas que apresentam um real comprometimento mental. Por exemplo, homens e mulheres que gritam. Homens que gritam e acreditam que a valentia garanta a eles poder, autoridade, virilidade (...só que não!!); mulheres que por qualquer razão gritam histericamente, com os filhos, com o marido e colocam a culpa neles por agirem assim ou culpam a TPM. Pode até envolver algum desequilíbrio fisiológico, mas, somente ele, não justifica os gritos. Palavrões, xingamentos, ofensas, ameaças, opressões, sarcasmos, toda forma de desrespeito ao outro, sobretudo em período de confinamento, pode gerar rebelião! Todos acabarão sofrendo, e pior, todos acabarão tristes e emocionalmente machucados.
Por outro lado, o ato de DIALOGAR é um exercício muito legal e salutar. Ao dialogar, as pessoas expressam seus sentimentos, deixam fluir ideias para melhorar o relacionamento, surgem possibilidades de compreensão mútua e de entendimento. Portanto, olhe para os olhos do outro, escute tudo o que a pessoa tem para falar, pense se você pode acrescentar alguma ideia. Se não pode, então, silencie! Se os ânimos começarem a esquentar, peça licença, vai ao banheiro, lave o rosto, as mãos, use álcool em gel, respire fundo. Existem problemas conjugais ou familiares que somente a psicoterapia ou um advogado poderão ajudar. É aconselhável deixar passar o período de confinamento para tomar providências cabíveis. Por enquanto, o correto é manter o respeito, tratar um ao outro com delicadeza e paciência e, acima de tudo, com amor.

sábado, 18 de abril de 2020

Isolamento Social: Como administrar a nova realidade?


Iniciamos o mês de abril ainda mantendo o isolamento social. Nos surpreendemos com a onda de contaminação que nos tirou da rotina, daquela previsibilidade diária que nos garantia uma certa liberdade de escolha. Ainda estamos nos adaptando às novas regras e condições para evitar a contaminação por Corona Vírus. São tantos detalhes e cuidados que dá a sensação de impotência. Pode demorar, mas, nós vamos conseguir!  
A situação de isolamento está nos desafiando e nos levando a pensar mais em nós mesmos. Trata-se de olhar para dentro de si, para o próprio eu. Como agíamos antes da pandemia? Éramos tão cuidadosos com a higiene corporal como estamos sendo agora? E com a higiene mental? E com os nossos familiares, cuidávamos deles tanto assim?
Antes da pandemia, nós estávamos envolvidos numa rotina de compromissos que, nem sempre sobrava tempo para sentarmos para conversar com nossos pais, maridos, filhos. Sabe aquele momento de preparar a mesa para uma refeição e todos se sentarem, se olharem e partilharem seus sentimentos? Só de imaginar dá uma sensação super agradável!
E a nossa casa? Estávamos cuidando dela com carinho? E aquela gaveta ou aquele armário, cuja bagunça deixávamos sempre para depois? Na visão psicanalítica, a casa é a nossa identidade, tem todo um aspecto afetivo de troca, de proteção e de segurança. Chegou a hora de pôr a nossa casa em ordem!
Apesar dos riscos da contaminação, de não sabermos quando as coisas voltarão ao “normal”, nós ainda podemos manter uma rotina, até para não ficarmos entediados, ansiosos ou mal humorados. Quem sabe agora consigamos “manter uma rotina produtiva e saudável”. Como podemos fazer isso? Precisamos encontrar saídas, enxergar possibilidades inteligentes, para lidar com a nova realidade. Pensamentos ruins, negativos ou limitantes, não trarão soluções. Lembrem-se, pensamentos ruins são raízes da Depressão. Vamos procurar pensar com clareza e objetividade. Pensar no que é útil, pensar no que é bom! Então, mãos à obra!