O Relacionamento Familiar é um assunto muito importante e ao mesmo tempo delicado. A família é uma consequência da vida. Todo mundo pertence a uma. A
maioria das famílias estão tendo a grande oportunidade de estarem juntas no período
de isolamento social. Marido com a esposa, pais com os filhos ou somente a mãe
com os filhos, avós com filhos e netos, várias constituições nucleares. Isso
pode representar uma situação muito saudável e prazerosa.... ou não! Sabemos que o núcleo familiar não é aquele
modelo da foto, todos sorrindo abraçados, tudo certinho! O núcleo familiar é
dinâmico e mutável. Na convivência familiar existem variações de
comportamentos, de falas, de atuações, ocorrem muitas projeções e, por vezes, um
ataca o outro, um transforma o outro em “bode expiatório”. Mulher que encrenca
com marido; homem que descarrega sua raiva na mulher ou nos filhos; pais que discutem
na presença dos filhos, enfim, estas tensões podem acontecer no contexto
familiar. Imaginem a convivência familiar numa casa sem muito espaço, sem um
mínimo de privacidade, gera a todos um grande estresse e irritabilidade, tendo
como consequência a sensação de aprisionamento. É claro que as pessoas ficarão mais
ansiosas e angustiadas. Existem aqueles casais que, mesmo antes do isolamento
social, apresentavam situações conjugais mal resolvidas, conflitos, falta de
sintonia e descontavam suas revoltas um no outro. Com o advento do Corona
Vírus, estes problemas podem ter aumentado e a convivência ter se tornado
insuportável!
A pergunta é: O que fazer com
esta situação? Sabemos que o confinamento não tem um prazo definitivo para
terminar. Por enquanto, devemos ficar isolados.
Então, as sugestões são:
Enquanto mantivermos o confinamento, vamos procurar evitar as reclamações?
Estamos todos na mesma situação, sem previsibilidade, temerosos com o futuro.
Reclamações constantes vão corroendo, vão entristecendo, vão causando a
sensação de incapacidade nos familiares, vão irritando a todos e não trazem
soluções. Vamos procurar dialogar mais e criticar menos? Aliás, críticas não
trazem bons resultados em condições de confinamento, ao contrário, podem levar
a discussões e brigas.
O ato de DISCUTIR é quando a
pessoa tenta impor sobre a outra seus pontos de vista, suas vontades, suas
regras e exigências, situações que levam facilmente à graves desentendimentos. Ficam
mais graves ainda, quando a convivência no isolamento envolve pessoas que
apresentam um real comprometimento mental. Por exemplo, homens e mulheres que
gritam. Homens que gritam e acreditam que a valentia garanta a eles poder, autoridade, virilidade (...só que não!!); mulheres que por qualquer
razão gritam histericamente, com os filhos, com o marido e colocam a culpa
neles por agirem assim ou culpam a TPM. Pode até envolver algum desequilíbrio fisiológico,
mas, somente ele, não justifica os gritos. Palavrões, xingamentos, ofensas,
ameaças, opressões, sarcasmos, toda forma de desrespeito ao outro, sobretudo em
período de confinamento, pode gerar rebelião! Todos acabarão sofrendo, e pior,
todos acabarão tristes e emocionalmente machucados.
Por outro lado, o ato de DIALOGAR
é um exercício muito legal e salutar. Ao dialogar, as pessoas expressam seus
sentimentos, deixam fluir ideias para melhorar o relacionamento, surgem
possibilidades de compreensão mútua e de entendimento. Portanto, olhe para os
olhos do outro, escute tudo o que a pessoa tem para falar, pense se você pode
acrescentar alguma ideia. Se não pode, então, silencie! Se os ânimos começarem
a esquentar, peça licença, vai ao banheiro, lave o rosto, as mãos, use álcool
em gel, respire fundo. Existem problemas conjugais ou familiares que somente a psicoterapia
ou um advogado poderão ajudar. É aconselhável deixar passar o período de
confinamento para tomar providências cabíveis. Por enquanto, o correto é manter o respeito, tratar um ao outro com delicadeza e paciência e, acima de tudo, com amor.