segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Implicações Psicológicas e Emocionais na Obesidade

- “Eu engordei!”

- “Não estou gostando da minha imagem no espelho!”

- “Minhas roupas não me servem mais!”

- “Estou me sentindo uma bola!”

- “Às vezes penso: aonde vou parar desse jeito?”

- “Há anos luto contra a balança!”

- “Mal comecei a ir para a academia e desanimei!”

São queixas comuns nas sessões de psicoterapia. O que acontece com esses pacientes? Sabemos que a obesidade pode acarretar doenças crônicas como a hipertensão, o diabetes, problemas cardíacos, nas articulações, dentre outras. No entanto, existem doenças fisiológicas, cujos sintomas podem levar a obesidade, como as alterações hormonais e metabólicas, juntamente a maus hábitos alimentares ou, o que é mais comum, condicionamentos da infância.

Lembrei-me daquela antiga tradição a qual dizia que criança saudável é criança gordinha! Tem que raspar o prato para ter direito a sobremesa! Criança magra é desnutrida, doente ou tem vermes! Quantas crianças tomaram tônicos e elixires a base de álcool ou óleo de fígado de bacalhau para abrir o apetite? Que tortura!! Crianças que vivenciaram a cultura daquela época, hoje em dia adultos, podem estar brigando com a balança.

 Existem inúmeras implicações emocionais e psicológicas na existência da obesidade. Muitos pacientes relatam várias tentativas frustradas para emagrecer. Às vezes conseguem manter o peso por um tempo, mas, logo engordam além do peso anterior. Com certeza existem crenças por trás da fome incontida. E questões mentais negativas podem atrapalhar qualquer dieta.

Enquanto está saboreando uma lata de leite condensado, a pessoa acha uma delícia, sente muito prazer, mas, no momento seguinte, acaba se sentindo culpada. Aliás, o sentimento de culpa, a sensação de impotência pelo descontrole, o fracasso, a frustração, sempre acontecem após a ingestão excessiva de alimentos. Como num círculo vicioso: sentir fomeàcomer em exageroàsentir culpaà fazer regimeà sentir fome...e começa tudo de novo. As restrições de alimentos e jejuns, se mal administrados duram pouco tempo, podendo acarretar momentos de compulsão alimentar.

Por que comer em exagero? Será que está a serviço de armazenar forças para enfrentar a difícil realidade? Será que representa compensar uma falta ou uma carência? Vou citar algumas hipóteses de problemas psicológicos e emocionais que podem levar a obesidade: Um ambiente familiar com pouco ou nenhum apoio emocional, onde as angústias são ignoradas, geram lacunas que são preenchidas com comidas, doces e guloseimas para compensar a falta de afeto. Traumas ocorridos na infância, violência sexual, física e/ou psicológica, podem levar a obesidade, sobretudo na fase adulta. Um quadro de depressão, de ansiedade, dificuldades de relacionamento, dificuldades sexuais (no sentido da busca do prazer), distúrbios alimentares (relacionados a compulsão), dismorfia corporal (preocupação obsessiva com a autoimagem). A balança acaba se transformando numa tortura e em efeitos psicológicos negativos. Infelizmente, a pressão midiática ainda causa certa influência na busca de um corpo ideal, fazendo com que muitas pessoas se arrisquem em regimes com tratamentos medicamentosos ou cirurgias plásticas e estéticas muito radicais, cujos resultados nem sempre saem a contento ou podem ser irreversíveis. Até mesmo casos em que o paciente voltou a engordar após a redução do estômago.

Acredito muito na multidisciplinaridade, ou seja, profissionais de diferentes áreas, cada um na sua competência escutando, esclarecendo e orientando os pacientes, cuja meta maior é combater a obesidade e alcançar resultados para eliminar peso, melhorar a saúde e o estilo de vida. Endocrinologia, Nutrição, Fisiatria, Educação Física, dentre outras especialidades, são muito importantes. Entretanto, o Tratamento Psicológico é fundamental para detectar os pensamentos e crenças disfuncionais que levam aos maus hábitos alimentares e ao sofrimento emocional e psíquico. Além disso, promover a conscientização e o desenvolvimento de estratégias para manter a boa saúde mental e a qualidade de vida.