- “Eu engordei!”
- “Não estou gostando da minha imagem no espelho!”
- “Minhas roupas não me servem mais!”
- “Estou me sentindo uma bola!”
- “Às vezes penso: aonde vou parar desse jeito?”
- “Há anos luto contra a balança!”
- “Mal comecei a ir para a academia e desanimei!”
São queixas comuns nas sessões de psicoterapia. O
que acontece com esses pacientes? Sabemos que a obesidade pode acarretar
doenças crônicas como a hipertensão, o diabetes, problemas cardíacos, nas
articulações, dentre outras. No entanto, existem doenças fisiológicas, cujos
sintomas podem levar a obesidade, como as alterações hormonais e metabólicas,
juntamente a maus hábitos alimentares ou, o que é mais comum, condicionamentos
da infância.
Lembrei-me daquela antiga tradição a qual dizia que
criança saudável é criança gordinha! Tem que raspar o prato para ter direito a
sobremesa! Criança magra é desnutrida, doente ou tem vermes! Quantas crianças
tomaram tônicos e elixires a base de álcool ou óleo de fígado de bacalhau para
abrir o apetite? Que tortura!! Crianças que vivenciaram a cultura daquela
época, hoje em dia adultos, podem estar brigando com a balança.
Existem
inúmeras implicações emocionais e psicológicas na existência da obesidade. Muitos
pacientes relatam várias tentativas frustradas para emagrecer. Às vezes
conseguem manter o peso por um tempo, mas, logo engordam além do peso anterior.
Com certeza existem crenças por trás da fome incontida. E questões mentais negativas
podem atrapalhar qualquer dieta.
Enquanto está saboreando uma lata de leite
condensado, a pessoa acha uma delícia, sente muito prazer, mas, no momento
seguinte, acaba se sentindo culpada. Aliás, o sentimento de culpa, a sensação
de impotência pelo descontrole, o fracasso, a frustração, sempre acontecem após
a ingestão excessiva de alimentos. Como num círculo vicioso: sentir fomeàcomer em exageroàsentir culpaà fazer regimeà sentir fome...e começa
tudo de novo. As restrições de alimentos e jejuns, se mal administrados duram
pouco tempo, podendo acarretar momentos de compulsão alimentar.
Por que comer em exagero? Será que está a serviço
de armazenar forças para enfrentar a difícil realidade? Será que representa compensar
uma falta ou uma carência? Vou citar algumas hipóteses de problemas
psicológicos e emocionais que podem levar a obesidade: Um ambiente familiar com
pouco ou nenhum apoio emocional, onde as angústias são ignoradas, geram lacunas
que são preenchidas com comidas, doces e guloseimas para compensar a falta de afeto.
Traumas ocorridos na infância, violência sexual, física e/ou psicológica, podem
levar a obesidade, sobretudo na fase adulta. Um quadro de depressão, de ansiedade,
dificuldades de relacionamento, dificuldades sexuais (no sentido da busca do
prazer), distúrbios alimentares (relacionados a compulsão), dismorfia corporal
(preocupação obsessiva com a autoimagem). A balança acaba se transformando numa
tortura e em efeitos psicológicos negativos. Infelizmente, a pressão midiática
ainda causa certa influência na busca de um corpo ideal, fazendo com que muitas
pessoas se arrisquem em regimes com tratamentos medicamentosos ou cirurgias plásticas
e estéticas muito radicais, cujos resultados nem sempre saem a contento ou podem
ser irreversíveis. Até mesmo casos em que o paciente voltou a engordar após a
redução do estômago.
Acredito muito na multidisciplinaridade, ou seja, profissionais de diferentes áreas, cada um na sua competência escutando, esclarecendo e orientando os pacientes, cuja meta maior é combater a obesidade e alcançar resultados para eliminar peso, melhorar a saúde e o estilo de vida. Endocrinologia, Nutrição, Fisiatria, Educação Física, dentre outras especialidades, são muito importantes. Entretanto, o Tratamento Psicológico é fundamental para detectar os pensamentos e crenças disfuncionais que levam aos maus hábitos alimentares e ao sofrimento emocional e psíquico. Além disso, promover a conscientização e o desenvolvimento de estratégias para manter a boa saúde mental e a qualidade de vida.