domingo, 9 de maio de 2021

MÃE PADECE, MAS, NÃO ESMORECE !

Mãe que é mãe é capaz de amar suas crias incondicionalmente, mesmo com todos os percalços que a gestação, o parto, a amamentação e as fases de desenvolvimento acarretam. Eu sei, não é via de regra! Nem toda mulher consegue exercer a maternidade. Me refiro a grande maioria das mulheres que, ao engravidar e depois com o filho nos braços, se sente realizada no papel de mãe. Imaginem quantas influencias arquetípicas emergem do inconsciente quando uma mulher se torna mãe. Sua vida muda totalmente! Daquele momento para frente, ela assume a responsabilidade de preparar este indivíduo para o mundo. Entre erros e acertos, essa mãe vai significando seus sentimentos tornando o exercício do papel de mãe mais interessante. Segundo Donald W. Winnicott (1949), a mãe suficientemente boa é aquela que está preparada em sua essência e, a sua devoção ao bebê proporcionará êxito na criação dele.

Vou partilhar um pouco da minha experiência como mãe. Eu desejei ser mãe! Tenho 3 filhos. As primeiras fases de desenvolvimento foram inesquecíveis porque brinquei muito com eles. Aliás, do meu ponto de vista, o maior segredo do papel de mãe, é manter viva a criança que você foi um dia. Fomos a praias, parques, zoológicos, cinemas, museus e circos, andamos de bicicleta, jogamos bola, peteca, subimos em árvores, lemos livros com histórias inesquecíveis. Quando estas opções se tornavam escassas, nós inventávamos as brincadeiras. Foi uma grande aventura! Confesso que um dos momentos difíceis enfrentados por mim enquanto mãe, foi arbitrar para promover justiça mantendo a imparcialidade quando, por exemplo, os três resolviam entrar numa teima ao disputar o mesmo brinquedo ou o controle remoto da TV ou quem era o dono-mor do Chiquinho (o cachorro). Recordo momentos tensos que acabavam sendo cômicos. Quando um armário de parede despencou porque os três se apoiavam nele enquanto lutavam imitando desenhos animados. Assustados, um acusou o outro e falavam os três ao mesmo tempo. No final, concluímos que o armário estava “mal pregado na parede”. Sinto muitas saudades!

Há anos, eles moram fora do país porque filhos são como passarinhos. Quando suas asas estão com boa envergadura, eles escolhem um rumo e vão explorar o mundo. Alguns filhos não se satisfazem com bairros ou cidades mais próximos. Então, corajosamente, decidem explorar outros continentes. Meus filhos amadureceram e nasceram para o mundo. Sim, são novos partos! De alguma forma, eu estava preparada para viver a síndrome do ninho vazio. Eu sabia que ia doer. Como de fato doeu, porém, ao mesmo tempo, senti uma grande satisfação por vê-los prontos para voar. Afinal, eu os ensinei!

É natural e salutar que este dia chegue. Toda mãe deve estar preparada para esta fase, pois, surgem novas oportunidades de reencontrar a mulher por detrás da mãe, de reavaliar seus papéis como profissional, como esposa, como filha, ter um olhar para sua saúde e, até mesmo, realizar desejos e projetos em standby.

Em fevereiro deste ano, minha filha se tornou mãe. Meu neto é lindo e super saudável. Um bebê feliz! Eu me tornei avó. Ser avó também é ser mãe...com açúcar! Entretanto, por conta da pandemia, não pude vivenciar este momento tão esperado. Refiro-me a estar por perto para ajudar minha filha e meu genro no que fosse necessário. Nem sei se, realmente, haveria necessidade! Na verdade, eu desejava reviver a fase da maternidade que para mim foi uma fase muito bacana, ainda mais por se tratar da gravidez da minha única filha e do nascimento do meu neto primogênito. Meu neto nasceu de parto normal e ainda não pude pegá-lo no colo, trocar uma fralda, empurrar o carrinho para levá-lo ao parque e declarar a quem possa interessar: Este é o meu neto primogênito! Ele é tão bonito, não é? Até ensaiei umas frases em mais que um idioma: He´s my firstborn grandson! He´s so handsome, Isn´t he? Er ist mein girstgeborener Enkel! Er ist so hübsch, nicht wahr? Por conta do fuso horário, tenho que aguardar o dia e o momento que receberei uma chamada de vídeo para conseguir brincar com ele um pouco. É o que tenho para o momento!

Ser mãe é padecer no paraíso! Eu posso afirmar que ser avó, em tempos de pandemia, também! Afinal, ainda segundo Winnicott, a mãe suficientemente boa, com o tempo, vai se tornando desnecessária. Hoje em dia sou uma mãe desnecessária para meus filhos! Entretanto, a vida é como um “estilingue humano”, um dia estaremos todos perto e novas experiencias acontecerão.

Após anos morando sozinha, há dois anos estou morando com a minha mãe. Sim, eu cuido da minha mãe e da minha tia materna também. Estou tendo este privilégio! Vejam só: A minha mãe cuidou de mim e me ajudou a cuidar dos meus filhos. Minha tia ajudou a minha mãe a cuidar de mim e dos meus irmãos e, sempre que precisei, ela também cuidou dos meus filhos. Hoje em dia eu cuido delas! Novamente, surgem grandes oportunidades de rever meus papeis, avaliar minha caminhada, repensar minha vida profissional, exercitar a minha paciência e complacência e nunca deixar de me alegrar com a minha bagagem. Afinal, “se chorei ou se sorri, o importante são que emoções eu vivi!” (Emoções – Roberto Carlos)

Comentei nesse texto algumas das minhas experiências como mãe.  Acredito que muitas mulheres viveram ou estão vivendo situações semelhantes e, talvez se identifiquem. Então, o dedico à todas as mães, avós, tias, irmãs, cunhadas, sogras, primas, que de alguma forma e, às vezes, sem perceber participaram ou ainda participam dessa rede de cuidados na criação de “nossos” filhos. Existe aquele provérbio africano que diz o seguinte: “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”. E quem não concorda?


Sugestões: Música- "Emoções" Roberto Carlos

Nota: As citações no texto foram capturadas em consultas de publicações da internet.